O Rapto das Sabinas (Der Raub der Sabinerinnen)
Farsa em quatro atos
Traduzida e adaptada do Alemão para o Português, da obra de Franz e Paul von Schönthan, por Eliane Maria Faganello de Som
Com notas introdutórias e de rodapé
Aus der Einleitung (NOTAS INTRODUTÓRIAS):
A história de Roma é cheia de mistérios e de fatos heróicos. Na ausência de documentos e de provas que possam assegurar a veracidade desses fatos, eles ficam relegados ao domínio da fantasia. E assim, tornam-se lendas, como é uma lenda a própria fundação de Roma, pelos irmãos Rômulo e Remo, que foram amamentados por uma loba.
O episódio "O Rapto das Sabinas"também é uma lenda, conservada na obra de Tito Livio e que reporta ao período seguinte à fundação de Roma e à instituição dos direitos inerentes ao ato de se casar (ius conubii).
É uma lenda cheia de contradições, mas que tem o seu valor assegurado, simplesmente no fato de ser o que é: uma lenda. O que a torna maravilhosa e nos deslumbra, são os elementos de realidade contidos nela, como a geografia e a história do Lácio.
O Lácio, região que conhecemos hoje por Itália, era habitado por povos vindos do norte, provenientes dos grupos célticos, arianos ou indo-germânicos. Esses povos, formavam clãs que guerreavam entre si. Os sabinos pertenciam a um ramo dos sabelius, que habitavam a região do Tibre, muito próximos a Roma, tendo com ela, relações bem pouco amistosas.
Conta a lenda, que depois da fundação de Roma e da organização de seu governo, os romanos, preocupados com a falta de mulheres que garantissem o incremento da população e o consequente fortalecimento da cidade, resolveram abrir as portas a outros povos, oferecendo a eles o direito à independência. No que se refere às mulheres, os romanos dirigiram-se aos sabinos, que recusaram a proposta e teriam, com isso, ofendido a honra romana.
Aconselhados pelo imperador Rômulo, os romanos organizaram uma festa ao deus Netuno, com danças, lutas e grandes banquetes. Para esta festa, convidaram os sabinos, que vieram acompanhados por suas mulheres e filhas.
No decorrer da festa, depois de um sinal do imperador Rômulo, os jovens romanos lançaram-se sobre os convidados, raptando as sabinas.
Este ato indignou outras tribos que, impulsionadas pelo rei dos sabinos, invadiram o Lácio, guerreando contra Roma. Para invadir Roma, os sabinos contaram com a ajuda de Tarpéia, filha de um guarda, que abriu clandestinamente a porta da cidade, entregando-a aos inimigos.
Nos combates que se seguiram, as sabinas, apaixonadas, grávidas e mães, suplicaram pela paz no Lácio. Rômulo não teve outra escolha, senão partilhar com o rei Tito Tácio, o governo da cidade.
Após a morte de Rômulo, foi eleito Numa Pompílio, um sabino, como imperador. No decorrer dos anos e depois de muitas guerras, os povos do Lácio foram se integrando, passando a constituir o povo latino.
A peça "O Rapto das Sabinas
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